Outdoor training - Desenvolvimento, treinamento ou entretenimento? Parte II

| Imprimir | O divisor de águas – Há uma linha muito tênue que separa um programa de desenvolvimento comportamental ao ar livre de um evento com dinâmicas divertidas. Muitas vezes esta linha também separa uma experiência positiva e marcante que leva ao aprendizado, de uma experiência negativa e marcante que leva a um trauma. As evidências tanto de um como de outro já existem aqui no Brasil e em vários países do mundo. Basta uma pequena busca na internet para encontrar centenas de trabalhos acadêmicos publicados que fundamentam os conceitos básicos, a aplicabilidade e os resultados do método experiencial.

Querer implementar regras que não permitam o amadorismo numa atividade que pode ser muito importante no processo de mudança de comportamentos, principalmente numa sociedade como a nossa, é um passo importante a ser dado. A metodologia experiencial é um processo de educação alternativa, existente e aplicado em todo o mundo há mais de 70 anos. Um dos primeiros programas experienciais ao ar livre oferecidos comercialmente foi desenvolvido durante a segunda guerra mundial com o objetivo de simular desafios que ajudassem a desenvolver a auto-estima e a confiança de jovens da marinha britânica. Desde então programas deste tipo só têm evoluído, gerando a profissionalização neste mercado e uma amplitude em sua aplicabilidade. Já existem casos de sucesso na utilização da ferramenta experiencial inclusive com objetivos terapêuticos. Seu uso na recuperação e inclusão social de jovens e até mesmo no tratamento de dependências tóxicas são alguns exemplos.

Entretenimento x programa de desenvolvimento – O como se aplica e o como se conduz uma atividade experiencial ao ar livre são os grandes diferenciais com os quais as empresas que compram este serviço deveriam estar preocupadas. A qualidade conceitual e a administração dos riscos são também quesitos essenciais na avaliação. Mas o que vai diferenciar um processo educacional de um recreacional é justamente a capacidade que o profissional que o aplica tem para conduzir os participantes a refletir sobre a experiência que tiveram. É esta reflexão e a sua transferência para a realidade que fazem toda a diferença no resultado. Se as pessoas que participam de programas deste tipo, voltam para suas mesas de trabalho no dia seguinte com a sensação de que fizeram algo, quando muito, interessante, elas participaram de um programa de entretenimento. Quando as pessoas refletem e transformam uma experiência lúdica ao ar livre em algo significativo para elas, que gere algum tipo de aprendizado que possa ser aplicado ao seu desenvolvimento pessoal e/ou profissional, elas então participaram de um programa de desenvolvimento com fundamentos experienciais.

Um programa experiencial bem desenhado, aplicado e conduzido, nada mais é do que uma experiência positivamente marcante em nosso córtex. A forma como esta experiência se transforma em uma mensagem aplicável ao nosso dia-a-dia social ou corporativo está nas mãos dos chamados facilitadores experienciais, ou a quem temos o orgulho de intitular como profissionais deste mercado. Estes sabem com certeza, diferenciar um programa de treinamento e desenvolvimento comportamental de um programa de lazer e churrasco com os colegas de trabalho.

Fonte: www.rhportal.com.br